Quando alguém perde a conexão com a realidade, geralmente sente muito medo. Isso é observado em atendimentos médicos. A psicose induzida por substâncias surge após o uso de drogas que alteram a mente. Pode aparecer enquanto a pessoa está sob o efeito, ao parar de usar ou após consumo recente.
A psicose por drogas altera como a pessoa percebe as coisas, seu julgamento e comportamento, tudo em poucas horas. O surto pode incluir crenças falsas, desconfiança severa, ouvir ou ver coisas inexistentes. Esses sintomas não significam falta de caráter, mas sim efeitos de drogas no cérebro que precisam de atenção imediata.
Para as famílias, este assunto é pesado porque pode levar a crises sérias, desorganização e ações impulsivas. Às vezes, pode haver comportamentos agressivos ou de autoagressão, exigindo avaliação médica com urgência. Dependência e psicose juntas podem causar danos sociais e profissionais, além de gerar vergonha e culpa. Isso dificulta a procura por ajuda.
Vamos explicar como a psicose é identificada clinicamente e sua relação com saúde mental e drogas. Durante o artigo, abordaremos causas, drogas comuns no Brasil, riscos, sinais de atenção e como diferenciar este quadro de outros. Também falaremos sobre tratamentos disponíveis no Brasil, tanto pelo SUS quanto por serviços privados. Isso inclui hospitalização, se necessário, e apoio 24h em casos graves.
Diante de uma emergência — tentativas de suicídio, agitação severa, ameaças, confusão intensa ou ouvir vozes comandando ações — a ação recomendada é buscar um pronto-socorro ou UPA e chamar o SAMU 192. Este texto é para informação e não substitui a consulta médica. Com a orientação e ação corretas e rápidas, é mais fácil estabilizar a situação.
O que é a psicose induzida por drogas?
A psicose induzida por drogas acontece quando alguém perde o contato com a realidade. Isso pode ocorrer depois de usar ou parar de usar certas substâncias. Os sintomas incluem ouvir vozes sem que haja som real e acreditar em coisas que não correspondem aos fatos.
Além disso, a pessoa pode ter mudanças no humor, no sono e em como cuida de si mesma. Em alguns momentos, pode se sentir muito desconfiada ou com medo, vendo ameaça onde não tem.
No diagnóstico médico, falamos de transtorno psicótico induzido por substâncias. Isso quer dizer que há uma relação direta entre o uso da substância e os sintomas apresentados. Pode acontecer tanto na intoxicação quanto na abstinência.
O que difere essa situação de outras psicoses é entender o histórico da pessoa. É fundamental verificar se sintomas semelhantes existiam antes do uso de drogas. Isso ajuda a definir se a psicose foi realmente causada pela substância.
No dia a dia, famílias podem chamar de “surto psicótico” um período de confusão e perda da realidade. Mudanças repentinas, como não conseguir dormir, falar de modo desconexo e sentir muito medo, são comuns. Alucinações e delírios podem se intensificar nesse momento.
Diferentes substâncias, doses e formas de uso podem causar vários tipos de psicose. No Brasil, além de drogas ilícitas, o álcool e certos medicamentos podem levar a isso. O risco aumenta se a pessoa já tem alguma vulnerabilidade, está sob estresse ou não dorme bem.
Na hora de ajudar quem está passando por isso, a segurança e estabilização clínica são a prioridade. Avaliamos o risco de a pessoa se machucar ou machucar outros, além de checar o uso da substância, sinais vitais, hidratação e sono. Isso nos ajuda a decidir o melhor cuidado: ambulatório, CAPS, urgências ou internação.
| Aspecto observado | Como pode aparecer no quadro | Por que isso importa na avaliação |
|---|---|---|
| Relação temporal com a substância | Sintomas começam após uso recente ou após redução/parada | Ajuda a sustentar transtorno psicótico induzido por substâncias e a diferenciar de outros transtornos |
| Tipo de vivência psicótica | Alucinações por drogas (vozes, imagens) e delírios por drogas (perseguição, ciúme, grandiosidade) | Indica gravidade, risco e necessidade de contenção terapêutica |
| Nível de desorganização | Fala confusa, impulsividade, dificuldade de seguir rotinas básicas | Orienta a necessidade de supervisão contínua e ambiente protegido |
| Curso do episódio | Melhora progressiva com suporte, sono e abstinência; ou manutenção dos sintomas | Ajuda a planejar tempo de cuidado e investigar comorbidades |
| Contexto clínico | Sinais de intoxicação e psicose (agitação, taquicardia) ou de abstinência e psicose (tremor, confusão, insônia) | Direciona condutas imediatas e monitoramento médico 24 horas quando necessário |
Causas, substâncias mais associadas e fatores de risco no Brasil
A psicose induzida por substâncias envolve vários fatores, não só um. Certas drogas afetam neurotransmissores como dopamina, serotonina e glutamato. Isso muda a forma como percebemos coisas, altera nosso sono e pode nos deixar mais ansiosos ou impulsivos.
Pessoas com uma predisposição podem desenvolver sintomas psicóticos se expostas a essas mudanças. O risco é maior com doses elevadas, uso contínuo e falta de sono.
O uso frequente de maconha, especialmente produtos potentes e desde cedo, pode levar a paranoia e alucinações. Isso é mais provável se a pessoa já estiver estressada ou dormindo pouco.
Com a cocaína, entra-se em um círculo de mais energia, menos sono, e aumento da irritação. No crack, o uso excessivo e a falta de dormir, seguidos da baixa rápida, podem causar agitação e delírios.
O abuso de anfetaminas e o uso indevido de estimulantes podem gerar insônia e uma sensação constante de alerta. Isso leva a desconfiança e percepção alterada. Com o LSD, as mudanças na forma de sentir podem causar pânico se a pessoa estiver em um lugar inseguro.
Ecstasy (MDMA) afeta a serotonina e pode ser mais problemático em situações de calor, desidratação e falta de sono. As drogas sintéticas apresentam um risco adicional devido à sua composição incerta, podendo ocasionar efeitos inesperados.
O álcool e sedativos, durante a abstinência, podem provocar confusão e necessitam de avaliação médica. Isso ajuda a diferenciar teimosia de situações mais graves.
- Uso precoce, frequente e em doses altas prejudica mais o cérebro ainda em desenvolvimento.
- Misturar drogas, como álcool e cocaína, aumenta a toxicidade e os efeitos imprevisíveis.
- Falta de sono, desidratação, má alimentação e estresse diminuem o controle emocional.
- Ter parentes com psicose ou transtorno bipolar, além da própria vulnerabilidade da pessoa.
- Problemas como depressão e ansiedade, especialmente com múltiplos medicamentos sem supervisão.
- Viver em ambientes de risco aumenta as dificuldades de proteção e cuidado.
É importante que familiares observem sinais de agravamento: piora do sono, irritação, isolamento e ideias de perseguição. Abordar o assunto com calma, validando o sofrimento, é mais eficaz do que confrontar diretamente.
Se a confusão aumenta ou há risco de dano, é vital encaminhar para um profissional. O objetivo é evitar julgamentos, focando na estabilização e no cuidado contínuo.
| Substância/situação | Como pode contribuir para sintomas | Sinais que costumam preocupar | O que a família pode fazer agora |
|---|---|---|---|
| maconha e psicose | Aumento de ansiedade e distorções perceptivas, mais provável com alta potência, uso frequente e início precoce | Paranoia, medo intenso, fala confusa, isolamento | Reduzir estímulos, evitar discussões, observar sono e procurar avaliação se houver piora |
| cocaína e psicose | Estímulo intenso, queda do efeito e privação de sono podem amplificar desconfiança e agitação | Vigilância excessiva, irritação, delírios persecutórios, comportamento impulsivo | Priorizar segurança, não confrontar acusações, incentivar busca de atendimento |
| crack e surto psicótico | Uso compulsivo e noites em claro elevam risco de desorganização e medo extremo | Agitação marcada, fuga, agressividade defensiva, ideias de perseguição | Afastar objetos de risco, manter distância segura e acionar ajuda profissional |
| anfetaminas e psicose | Insônia severa e hiperalerta podem desencadear suspeita e pensamentos rígidos | Fala acelerada, irritabilidade, desconfiança, incapacidade de dormir | Incentivar pausa e repouso, hidratar, buscar avaliação médica se a insônia persistir |
| LSD alucinações | Alterações perceptivas intensas podem evoluir para pânico, sobretudo em ambiente inseguro | Desorientação, medo intenso, desorganização, percepção alterada | Ambiente calmo e iluminado de forma suave, supervisão e avaliação se houver risco |
| ecstasy MDMA efeitos psiquiátricos | Oscilações de humor, ansiedade e confusão podem piorar com calor, desidratação e longos períodos acordado | Ansiedade intensa, confusão, irritabilidade, exaustão após festas prolongadas | Hidratação com cuidado, resfriamento do ambiente, observar consciência e procurar assistência se necessário |
| drogas sintéticas e psicose | Potência variável e composição desconhecida aumentam reações inesperadas e risco de descontrole | Quadro imprevisível, agitação ou retraimento súbito, confusão importante | Não deixar a pessoa sozinha, reunir informações sobre uso e buscar avaliação rapidamente |
| fatores de risco psicose por drogas | Poliuso, estresse, falta de sono, comorbidades e vulnerabilidade familiar podem facilitar o surgimento de sintomas | Piora em “escada”: insônia, irritação, isolamento, ideias persecutórias | Registrar mudanças, apoiar sem julgamento, organizar rede de suporte e encaminhar para cuidado |
Sintomas, diagnóstico e tratamentos disponíveis no Brasil
Os sintomas da psicose causada por drogas podem aparecer de repente, causando medo na família. Pode-se observar alucinações, delírios e muita paranoia. A fala pode ficar confusa e o pensamento desorganizado. Além disso, insônia, irritabilidade e impulsividade são comuns.
Em alguns casos, também aparecem sintomas físicos como taquicardia e tremores. Isso mostra como é importante procurar um médico.
Para diagnosticar a psicose, seguimos um processo claro. Começamos com um histórico detalhado dos sintomas e do uso de substâncias. Depois, realizamos exames clínicos e psiquiátricos.
Podemos pedir exames laboratoriais se necessário. Essa investigação nos ajuda a diferenciar a psicose induzida por substâncias de outras condições, como esquizofrenia.
No tratamento de um surto psicótico, o foco é na segurança do paciente. Protegemos o ambiente e cuidamos de possíveis complicações. Nos casos mais graves, o paciente pode precisar ir para uma UPA ou pronto-socorro.
Podemos usar antipsicóticos ou ansiolíticos, sempre observando possíveis efeitos colaterais. A desintoxicação é fundamental para estabilizar o paciente. Em situações críticas, pode ser necessária a internação psiquiátrica.
Após a fase crítica, tratamos a dependência para evitar recaídas. Usamos psicoterapia, terapia em grupo e acompanhamento psiquiátrico. O SUS oferece apoio através de UBS, ambulatórios e CAPS AD.
Em casos mais sérios, clínicas de reabilitação 24 horas podem ajudar. Em casa, recomendamos manter a calma e supervisão cuidadosa. Deve-se buscar ajuda ao notar qualquer piora.


