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Chá de fita e uso entre jovens

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Nós introduzimos um fenômeno que reaparece nas redes: relatos sobre infusões feitas com material magnético descartado. A narrativa parece atraente por ser simples e econômica.

Nosso foco é saúde pública e prevenção. Investigamos por que a prática circula, quais mitos cercam seu efeito e os perigos reais associados ao consumo.

Chá de fita e uso entre jovens

Especialistas mostram pouca plausibilidade para efeito alucinógeno após fervura. O perigo mais consistente é a exposição a contaminantes, metais e outros componentes extraídos do material.

Queremos informar e reduzir danos. Oferecemos orientação para familiares e escolas e caminhos práticos para reconhecer sinais e encaminhar quem precisa de ajuda.

Em poucas palavras: mesmo que pareça apenas uma coisa da internet, o consumo de infusões com materiais industriais traz riscos reais e evitáveis. Nesta série explicamos origem do boato, evidências científicas, mitos e medidas de proteção.

O que é o chá de fita e por que voltou a circular entre jovens no Brasil

O fenômeno voltou a ganhar visibilidade por vídeos curtos e fóruns anônimos. Nós definimos o que se chama de chá: uma infusão preparada ao ferver fita K7/VHS em água, filtrar e ingerir, apresentada como alternativa barata a drogas ilícitas.

Nessa forma de difusão, relatos anedóticos e tutoriais simplificados aceleram a migração da lenda urbana para a prática. O conteúdo promete efeitos similares a outras substâncias sem evidência clínica.

A lógica que sustenta a adoção inclui curiosidade, pressão do grupo e a falsa sensação de segurança por usar produtos comuns. Isso dialoga com o avanço de outras drogas de acesso fácil, como solventes, inalantes e medicamentos desviados.

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Casos em escolas e alertas

Relatos de escolas e serviços de emergência mostram aumento de casos de desmaio e tontura. Especialistas e centros toxicológicos alertam que baixo custo não reduz o risco de intoxicação.

Produto Facilidade de acesso Risco relatado Exemplo
Fitas K7/VHS Alta (resíduos) Tóxico potencial por contaminantes Infusão caseira
Solventes/inalantes Alta (doméstico) Desmaio, overdose Inalação em sala
Medicamentos desviados Média Overdose, efeitos imprevisíveis Clonazepam em relatos

Chá de fita e uso entre jovens: efeitos, mitos e o que a ciência já mediu

Os achados laboratoriais colocam o foco na toxicidade, não em um efeito recreativo. Nossa revisão mostra que a composição dessas mídias inclui polímeros, óxidos magnéticos, lubrificantes e cola, materiais não feitos para ingestão.

chá risco metais

A composição e por que é perigosa

Polímeros como acetato de celulose, PVC e poliéster convivem com óxidos de ferro ou cromo. A fervura pode liberar metais solúveis, não criar drogas psicoativas.

O veredito dos especialistas

Especialista Elson da Silva Lima (Unicamp) afirma que polímeros e óxidos não produzem efeito psicoativo após fervura. Relatos de “efeito” tendem a refletir placebo, ansiedade ou intoxicação por contaminantes.

Metais detectados e riscos

MetaisAchadoRisco descrito
Manganês (Mn)Até 5 vezes acima de limitesNeurotoxicidade; sintomas motores (manganismo)
Cobalto (Co)BioacessívelRisco visual; dano ao nervo óptico
Níquel (Ni) / Cromo (Cr)Detectados acima do seguroPotencial carcinogênico e genotóxico

Em resumo, a principal preocupação é exposição a excesso de metais e danos cumulativos. Comparar com outras substâncias ou maconha pode confundir; aqui o perigo é toxicológico, não recreativo.

Riscos do consumo e sinais de intoxicação: quando o “experimento” vira problema de saúde

O risco imediato está na imprevisibilidade da dose e na velocidade da toxicidade. Em preparos caseiros não há controle do que foi extraído nem da concentração. Isso aumenta a probabilidade de um evento agudo, inclusive perda de consciência.

Overdose e perda de consciência

Nós alertamos que não existe “dose segura” conhecida para misturas feitas a partir de materiais não destinados à ingestão. Especialistas apontam que, em novas drogas e em produtos lícitos usados fora do contexto, o limite entre efeito pretendido e intoxicação é incerto.

Relatos em escolas e atendimentos toxicológicos descrevem desmaios, confusão e colapso respiratório. Diante desses sinais, trate como emergência.

Inalantes e solventes como porta de entrada

O padrão é semelhante ao que se observa com cola e outros solventes: busca de efeito rápido e acesso fácil. Solventes inalados chegam rápido à corrente sanguínea e podem causar dano neurológico, pulmonar e renal.

riscos de consumo
  • Confusão intensa e desorientação
  • Vômitos persistentes e queda do nível de consciência
  • Dificuldade para respirar ou cianose
  • Agitação extrema, tremores ou alterações visuais
SinalAção imediataPor que importa
DesmaioChamar emergênciaRisco de parada respiratória
Confusão/sonolênciaManter via aérea e buscar socorroIndica toxicidade sistêmica
Dificuldade respiratóriaAtendimento imediatoComprometimento pulmonar agudo

Em resumo: o fato de um produto ser comercial não o torna seguro para consumo recreativo. No entanto, qualquer suspeita de intoxicação deve ser tratada sem demora.

O que pais, escolas e profissionais podem fazer diante do fenômeno

Intervenções que privilegiam conversa e orientação precoce reduzem danos e permitem encaminhamentos rápidos.

Nós orientamos famílias a iniciar diálogo com calma. Pergunte o que o jovem viu, com quem falou e qual foi a motivação. Evite confronto para não gerar segredo.

Na escola, adotem formação de professores, protocolos claros para suspeita de intoxicação e comunicação transparente com responsáveis. A prevenção deve ser parte da rotina educativa.

Busquem informação verificável e apoio de especialista em saúde mental ou toxicologia. Serviços de referência costumam melhorar o manejo quando acionados cedo.

Construir confiança e caminhos de cuidado em acordo com a gravidade permite intervenção antes do agravamento. Estamos à disposição para orientar e encaminhar.

Sobre o autor

Dr. Luiz Felipe

Luiz Felipe Almeida Caram Médico, CRM 22687 MG, cirurgião geral, endoscopista , sanitarista , gestor público e de saúde . Ex secretário de saúde de Ribeirão das Neves , Vespasiano entre outros .
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