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O que muda no comportamento de quem começa a usar drogas?

Quando falamos em mudança de comportamento, pensamos em atitudes e escolhas que fogem do padrão da pessoa. Isso pode aparecer em casa, no trabalho, na escola e nas relações. Muitas vezes, os sinais de uso de drogas surgem cedo, antes de qualquer marca física evidente.

O que muda no comportamento de quem começa a usar drogas?

No início do uso de substâncias, o cérebro é o primeiro a sentir. Álcool e outras drogas agem no sistema nervoso central e alteram humor, sensação de recompensa e controle de impulsos. Por isso, as alterações comportamentais podem vir tanto durante o efeito quanto depois, na ressaca, no “rebote” ou em fases de abstinência.

Ainda assim, uma mudança isolada não prova nada. Para como identificar uso de drogas com mais segurança, nós orientamos observar o conjunto: frequência, intensidade, repetição e prejuízos. O alerta aumenta quando há impacto claro na convivência familiar, na vida social e no desempenho diário.

Também ajuda entender o grau do quadro. O uso ocasional tende a causar sinais pontuais. O uso problemático já traz conflitos e consequências, e pode abrir caminho para dependência química sintomas, como perda de controle e insistência apesar dos danos.

Nos próximos tópicos, nós vamos detalhar o que costuma mudar nas emoções, na sociabilidade, no rendimento e no autocuidado. Também abordaremos padrões de alerta e caminhos de ajuda no Brasil, com acolhimento e estratégia, sem julgamentos.

O que muda no comportamento de quem começa a usar drogas?

Quando o uso de drogas começa, as mudanças tendem a aparecer em detalhes do dia a dia. Nós orientamos observar o conjunto: frequência, contexto e impacto nas relações e nas tarefas. Em muitas famílias, as mudanças emocionais por drogas surgem antes de qualquer confirmação.

Nem sempre é um “sinal único”. O que chama atenção é o padrão: repetição, piora progressiva e prejuízo claro na rotina. Abaixo, organizamos os pontos mais comuns para facilitar a leitura.

Mudanças emocionais e de humor: irritabilidade, ansiedade, apatia e euforia

Oscilações rápidas podem ocorrer, com euforia curta e, depois, queda de energia e impaciência. Nessa fase, irritabilidade e drogas costumam andar juntas, com reações fortes a contratempos pequenos. Também pode haver ansiedade, choro fácil ou agitação fora do habitual.

Outro traço observado é a apatia e uso de substâncias, descrita como “desligamento” afetivo. A pessoa parece distante, sem motivação, e perde o interesse em conversar ou decidir. Nós sugerimos notar duração, gatilhos, recorrência e prejuízo, como brigas, faltas e abandono de responsabilidades.

sinais físicos de uso de drogas

Alterações na sociabilidade: isolamento, novas amizades e conflitos frequentes

Um sinal frequente é a troca abrupta de círculos sociais e o aumento de atritos em casa. O isolamento social e drogas pode aparecer como recusa em almoçar com a família, passar horas trancado no quarto ou evitar eventos simples. Ao mesmo tempo, surgem “novas amizades” com horários e locais pouco explicados.

Conflitos também mudam de tom: respostas defensivas, acusações e discussões repetidas. Nós avaliamos se há perda de vínculos antigos, segredo excessivo e dificuldade de sustentar combinados básicos.

Queda de desempenho em estudos e trabalho: atrasos, faltas e perda de foco

A queda de rendimento e drogas costuma vir com atrasos, faltas e esquecimento de prazos. O foco oscila, e tarefas simples passam a exigir esforço grande. Em alguns casos, aparece queda de produtividade seguida de justificativas vagas.

Nós recomendamos observar sinais como mudanças em notas, advertências, perda de projetos e desorganização. Quando a rotina fica instável, o efeito se espalha para finanças, relacionamentos e saúde.

Mudanças na rotina e nos interesses: abandono de hobbies e prioridades

Há uma reorganização silenciosa de prioridades: hobbies, esportes e compromissos perdem espaço. A pessoa adia tarefas, evita conversas sobre planos e reduz atividades que antes davam prazer. Muitas famílias notam mais tempo fora de casa ou em horários incomuns.

Esse padrão pode vir junto com irritação quando alguém pergunta onde foi ou com quem estava. Nós olhamos para a consistência do dia a dia: alimentação irregular, sono quebrado e pouca disposição para combinar regras simples.

Sinais físicos e de autocuidado: sono, alimentação, aparência e higiene

Os sinais físicos de uso de drogas variam, mas alguns chamam atenção: olhos muito vermelhos, pupilas alteradas, tremores, suor fora de hora e mudanças no apetite. O sono pode virar um ciclo de insônia e sonolência, com troca do dia pela noite. Também podem aparecer queixas de dor de cabeça, náuseas e cansaço persistente.

Outro ponto é o autocuidado e dependência química: queda na higiene, roupas repetidas, desleixo com barba, cabelo e odor. Nós observamos se isso é pontual ou se vira rotina, especialmente quando somado a isolamento, irritabilidade e perda de desempenho.

Área observadaO que pode mudarExemplos no dia a diaO que nós sugerimos anotar
HumorOscilações e reatividadeEuforia breve, explosões, choro fácil, ansiedadeDuração, gatilhos e impacto em brigas e tarefas
SociabilidadeRetraimento e conflitosEvita família, troca de amizades, discussões frequentesRecorrência do isolamento e mudanças de comportamento em público
DesempenhoDesorganização e perda de focoAtrasos, faltas, notas piores, advertências no trabalhoFrequência e prejuízo concreto (prazos, metas, avaliações)
RotinaPrioridades alteradasAbandono de hobbies, sumiços, horários incomunsPadrão semanal e mudanças repentinas sem explicação clara
Corpo e autocuidadoMarcas físicas e higieneOlhos vermelhos, tremores, sono irregular, desleixo com aparênciaEvolução dos sinais físicos e mudanças no autocuidado

Sinais de alerta e padrões de comportamento que podem indicar uso de substâncias

Quando a família tenta entender o que está acontecendo, o mais seguro é olhar para o conjunto. Nós observamos repetição, mudança de rotina e impacto em segurança, relações e saúde. Esse mapa ajuda a reconhecer sinais de alerta uso de drogas sem rotular ou acusar.

Um sinal isolado pode ter muitas causas. Já a soma de pequenas mudanças, em sequência, costuma apontar sinais de abuso de substâncias, sobretudo quando há queda de autocuidado e conflitos frequentes.

sinais de alerta uso de drogas

Nos últimos meses, surgiram dívidas que antes não existiam?

Em mudanças financeiras: pedidos de dinheiro, dívidas e sumiço de objetos, é comum aparecerem empréstimos “urgentes”, contas pagas com atraso e explicações vagas. Em mudanças financeiras e drogas, também vemos cartões estourados, saques sem motivo claro e itens de casa que somem ou são vendidos. O foco aqui é o padrão e a escalada.

Em comportamentos de risco: direção perigosa, brigas, impulsividade e exposição, o alerta cresce quando há pressa, imprudência e decisões que colocam a pessoa em perigo. Comportamento de risco e drogas pode incluir dirigir após beber, misturar substâncias, entrar em discussões agressivas e se expor em locais e horários incomuns. Esses episódios tendem a vir com justificativas simplistas, como “foi só uma fase”.

Em mentiras e segredo excessivo: justificativas inconsistentes e evasão de perguntas, a comunicação muda de tom. Mentiras e dependência química pode aparecer como histórias que não fecham, mudanças bruscas de assunto e irritação quando alguém pergunta onde foi ou com quem estava. Também é frequente proteger o celular, evitar encontros em família e negar fatos que estavam claros minutos antes.

Em oscilações de energia e atenção: agitação, lentidão, “apagões” e desmotivação, há variação forte no mesmo dia. A pessoa pode ficar muito acelerada e, depois, apática, com fala confusa ou resposta lenta. Em apagões e uso de substâncias, alguns relatam não lembrar como chegaram em casa, o que disseram, ou o que fizeram em poucas horas. Isso costuma vir junto de atrasos, faltas e queda de rendimento.

Em alterações no sono: insônia, sono excessivo e troca do dia pela noite, o relógio do corpo perde o ritmo. A troca do dia pela noite pode começar com “só mais uma madrugada” e virar rotina, com longos períodos de sono diurno e vigília noturna. Quando isso se combina com irritabilidade e isolamento, o quadro merece atenção, pois pode reforçar sinais de abuso de substâncias.

Área observada O que costuma aparecer O que nós recomendamos observar
Finanças Em mudanças financeiras e drogas: pedidos repetidos de dinheiro, dívidas novas, sumiço de objetos e gastos sem explicação Frequência, urgência, valores e mudanças no padrão de consumo; se há itens vendáveis faltando em casa
Segurança e exposição Em comportamento de risco e drogas: direção perigosa, brigas, impulsividade e presença em lugares incomuns Se aumenta a chance de acidentes, conflitos e situações ilegais; se há repetição após “promessas” de mudança
Comunicação Em mentiras e dependência química: versões contraditórias, evasão de perguntas, irritação e segredo excessivo Coerência das histórias, mudanças de humor ao ser questionado e afastamento da família
Atenção e memória Em apagões e uso de substâncias: lapsos de memória, confusão, alternância entre agitação e lentidão Se há episódios de “não lembrar” com impacto em trabalho, escola e segurança; se ocorre com maior frequência
Sono Insônia, sono excessivo e troca do dia pela noite, com cansaço e irritabilidade durante o dia Horários que se deslocam, queda de rotina e piora do humor; se o padrão se mantém por semanas

Como conversar e buscar ajuda no Brasil: acolhimento, tratamento e rede de apoio

Quando pensamos em como ajudar alguém com dependência química, o tom da conversa muda tudo. Nós sugerimos falar em um momento de sobriedade, em local privado e sem pressa. Em vez de rótulos, usamos observação e impacto: “nós percebemos isso e nos preocupamos com aquilo”. Essa abordagem reduz a defesa e abre espaço para acolhimento e reabilitação.

Na abordagem familiar dependência química, limites são proteção, não punição. Nós combinamos regras claras ligadas à segurança, como não dirigir após uso e não manter substâncias em casa, com consequências proporcionais. Evitamos ameaças vazias, humilhação e exposição pública, porque isso tende a piorar o vínculo. O foco é cuidado, previsibilidade e respeito.

Há momentos em que a conversa não basta e a avaliação precisa ser rápida. Se houver risco de overdose, desmaio, confusão intensa, agressividade grave, ideação suicida, psicose, abstinência forte ou direção sob efeito, nós orientamos procurar pronto atendimento ou hospital. Depois da estabilização, o tratamento para dependência química no Brasil pode seguir com um plano individual, revisto ao longo do tempo, com equipe multiprofissional.

Para iniciar e manter o cuidado, nós costumamos começar pela UBS e pela RAPS, com encaminhamentos conforme a necessidade. O CAPS AD é uma porta importante para cuidado continuado, com acompanhamento e trabalho junto à família. Grupos como Narcóticos Anônimos (NA) e Alcoólicos Anônimos (AA) podem fortalecer a rede de apoio dependência química, sem substituir avaliação médica. Em quadros moderados a graves, a internação dependência química 24 horas pode aumentar a segurança, sobretudo na abstinência e em comorbidades, e nós também apoiamos a família para não carregar culpa, manter rotina e evitar facilitar o uso.

Sobre o autor

Dr. Luiz Felipe

Luiz Felipe Almeida Caram Médico, CRM 22687 MG, cirurgião geral, endoscopista , sanitarista , gestor público e de saúde . Ex secretário de saúde de Ribeirão das Neves , Vespasiano entre outros .
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