Nós retornamos a este tema por sua relevância em saúde pública no Brasil. Notícias sobre circulação de cannabis de alta potência reacenderam o debate. Estudos do King’s College London e uma pesquisa longitudinal de 21 anos associam maior exposição a maior probabilidade de transtornos psicóticos.

Psicose refere-se a um conjunto de sintomas, como delírios e alucinações. Explicamos com clareza que o aumento do risco não implica que todas as pessoas terão o mesmo desfecho.
Neste texto, vamos focar na potência e na frequência do uso. Também diferenciaremos maconha, haxixe e variantes de alta potência. Nosso público são familiares, pessoas em busca de tratamento e profissionais que acompanham mudanças comportamentais.
Nós oferecemos orientação prática: sinais de alerta, quando procurar avaliação e como conversar com equipes de saúde sem julgamento. O objetivo é apoiar decisões informadas e encaminhamento adequado.
Apreensão de “supermaconha” no Brasil reacende o alerta sobre saúde mental

Uma grande apreensão no Sertão da Paraíba trouxe o tema novamente ao centro do debate. No domingo, 7 de 2025, policiais encontraram mais de 100 kg de skunk em um veículo que seguia de Ponta Porã (MS) para São Bento (PB). Dois homens foram presos em flagrante.
A ação foi integrada: DRACO, UNINTELPOL, Delegacia de Roubos e Furtos de Patos e PRF participaram da operação. O DRACO já ultrapassou duas toneladas de entorpecentes apreendidas em 2025, o que indica maior circulação deste tipo de produto.
Por que isso importa para a saúde pública? Maior disponibilidade pode aumentar exposição, sobretudo entre jovens. A maconha de alta potência tem efeitos psicoativos mais intensos e imprevisíveis, o que eleva o risco psicose em quem usa com frequência.
Para famílias e cuidadores, vale observar sinais de alerta: mudanças de sono, isolamento, paranoia, discurso desconexo e queda no desempenho escolar ou profissional. Buscar apoio cedo reduz sofrimento e facilita encaminamento sem julgamento.
Skunk e risco de psicose: o que os estudos mostram sobre um risco vezes maior
Vamos traduzir os números científicos para uma linguagem prática e acessível ao leitor. Esses aumentos são relativos: indicam maior probabilidade em grupos, não uma sentença para cada indivíduo.
Estudo do King’s College London com 780 pessoas: risco triplicado
O trabalho do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência comparou 410 pacientes com primeiro episódio e 370 controles saudáveis. Entre usuários de skunk, o risco triplica em comparação com quem nunca experimentou.
Usuários diários de maconha: por que o risco pode ser cinco vezes maior
Uso diário implica exposição constante ao THC. Estudos mostraram que usuários diários tiveram até cinco vezes mais chances de apresentar episódio psicótico do que não usuários.
Comparação com quem nunca experimentou: potência e frequência
Dois fatores caminham juntos: potência (alto THC) e frequência. A comparação com quem nunca experimentou evidencia que ambos aumentam as chances desenvolver sintomas.
Pesquisa com jovens acompanhados por 21 anos
Uma pesquisa longitudinal com 3.801 pessoas acompanhou jovens por 21 anos. Se o primeiro uso ocorreu há seis anos ou mais, a chance de psicose não-afetiva dobrou.
Relação “resposta-dosagem” e impacto em sintomas
Há uma resposta-dosagem: quanto maior o tempo e a exposição, maior a ocorrência de delírios e alucinações e maiores as pontuações em testes clínicos.
“Evitar o consumo de cannabis de alta potência poderia reduzir em quase um quarto os casos de psicose”, estimou Robin Murray.
O que fazer: se houver sinais de desorganização do pensamento, paranoia intensa ou alucinações após uso, recomendamos interromper o consumo e procurar avaliação profissional o quanto antes.
Entendendo psicose, esquizofrenia e os efeitos da cannabis no cérebro
Alterações como delírios e alucinações podem surgir em horas; reconhecer isso é fundamental para buscar ajuda. Nós definimos psicose como a presença de uma crença fixa desconectada da realidade ou de percepções sem estímulo externo.
Exemplos práticos ajudam familiares: suspeitas persecutórias persistentes, ouvir vozes que conversam com a pessoa, ou interpretar pequenos sinais como ameaças. Quando esses sinais prejudicam sono, trabalho ou relações, pode ser um episódio clínico.
Psicose não-afetiva e esquizofrenia: o que a pesquisa mostra
Estudos que citam psicose não-afetiva investigam desfechos como esquizofrenia. Esses trabalhos comparam pacientes em diferentes países e mostram associação entre exposição prolongada à cannabis e maior probabilidade de diagnóstico.
| Sintoma | Início típico | Ação sugerida |
|---|---|---|
| Delírios persecutórios | Horas a dias | Registrar quando começou; procurar avaliação psiquiátrica |
| Alucinações auditivas | Horas | Apoiar a pessoa, evitar confronto; relatar frequência ao médico |
| Desorganização do pensamento | Dias | Intervenção precoce; encaminhar para serviço especializado |
Como relatar ao médico: descreva linha do tempo, frequência de uso, tipo de produto e sinais observados. Essas informações melhoram a triagem e o cuidado dos pacientes.
Intervenção precoce reduz sofrimento e melhora prognóstico.
O que muda entre skunk, maconha e haxixe — e por que isso importa para sua saúde
A distinção entre formas e potência define grande parte dos possíveis efeitos no usuário. Um tipo com mais THC tende a causar respostas psíquicas mais intensas.
Skunk é uma forma com alta potência; a maconha tradicional pode ter proporções diferentes de THC e CBD. O haxixe costuma apresentar mais CBD, que pode moderar alguns efeitos do THC.
Quanto maior o uso e a potência, maior a chance de ansiedade, paranoia ou desorganização. Se houver histórico familiar ou sinais após consumo, reduzam o uso e busquem avaliação profissional. Nós apoiamos a redução de danos e o encaminhamento para atendimento especializado.