Apresentamos aqui um panorama sobre uma questão sensível que tem impacto direto em saúde, segurança e direitos. Nós contextualizamos por que esse tema virou foco em decisões judiciais e rotinas de RH.

Traremos o exemplo do caso do TRT-3 (MG), em que uma demissão por justa causa foi revista pela Justiça. A decisão mostrou que suspeitas e narrativas não substituem prova robusta.
Nossa abordagem une acolhimento e técnica. Explicamos como a saúde (dependência), a segurança (riscos de acidente) e o direito (ônus probatório) se cruzam.
O leitor encontrará nas próximas seções (i) resumo do caso e motivos da reversão, (ii) sinais e limites de interpretação, (iii) implicações legais e requisitos de prova, e (iv) caminhos de prevenção e tratamento.
Queremos orientar familiares e quem busca tratamento, mostrando que proteger pessoas e resultados exige equilíbrio. Também evitamos estigma que gere dano moral.
O caso que reacendeu o debate sobre drogas no ambiente de trabalho e justa causa
Reconstituímos o julgamento do TRT-3 que passou a servir como referência sobre como provar conduta grave. O núcleo da disputa foi simples: a empresa alegou flagrante e notificações do shopping; o juiz, ao avaliar as provas, não se convenceu.
Dispensa revertida e inconsistências: quando a empresa não comprova o consumo
A narrativa empresarial variou sobre horário e local. O preposto citou horários entre 20h e 20h30 em uma versão e, em outra, afirmou que teria ocorrido após o expediente.
Os cartões de ponto mostraram assiduidade do empregado e não houve registro de punições anteriores. Por isso, houve conversão da justa causa em dispensa sem justa causa e pagamento das verbas rescisórias.
Contradições em depoimentos e fragilidade documental
Testemunha descreveu “comportamento de drogado”, mas o juiz entendeu haver ajuste no depoimento. A declaração extrajudicial anexada perdeu força probatória frente à falta de registros independentes.
Danos morais e estigma
A condenação incluiu indenização por danos morais de R$ 10 mil. Acusar sem provas atinge a honra do empregado e expõe a empresa ao passivo judicial.
| Item | Versão da empresa | Constatação judicial |
|---|---|---|
| Local | Shopping (flagrante) | Inconsistente; também mencionado rua/estacionamento |
| Horário | Entre 20h–20h30 / pós-expediente | Divergência; relevância para enquadramento |
| Documentos | Declaração extrajudicial e aviso | Sem valor probante suficiente |
| Resultado | Demissão por justa causa | Convertida em sem justa causa + verbas e indenização |
Uso escondido de drogas no trabalho: sinais, limites e riscos para empresa e trabalhador
No ambiente de trabalho, alguns comportamentos acendem alertas que merecem apuração.

Indícios mais citados na prática
Faltas recorrentes — especialmente às segundas-feiras ou após folgas, são um sinal frequente.
Mudança de comportamento — labilidade emocional, irritabilidade ou olhos vermelhos podem aparecer.
Queda de produtividade — atrasos, erros e baixa atenção comprometem resultados.
Álcool, cocaína, maconha e medicamentos
Álcool costuma apresentar sinais mais perceptíveis, como hálito após o almoço. Cocaína pode gerar agitação e falta de concentração.
Maconha tende a reduzir atenção; medicamentos usados indevidamente alteram cognição. Cada substância impacta tarefas de modo distinto.
O que pode estar por trás dos sinais
Nem todo sinal indica consumo. Estresse, longos períodos longe da família e funções de risco explicam muitos problemas.
Dependência química é condição de saúde (CID-10: F10, F19) e exige acolhimento e encaminhamento, não apenas sanção.
Acidentes e prioridade em operações críticas
Substâncias psicoativas elevam risco operacional. Estima-se que o álcool esteja relacionado a cerca de 25% dos acidentes de trabalho globalmente.
Recomendamos registro cuidadoso, avaliação profissional, confidencialidade e políticas claras para proteger trabalhador e ambiente.
Implicações legais no trabalho: como lidar com suspeitas sem violar direitos
Ao enfrentar indícios, a empresa precisa agir com técnica e respeito aos direitos.
O que configura justa causa
A CLT prevê faltas graves, não rotula uso imediato como causa. Em geral, o foco é se a conduta afetou segurança, produtividade ou a integridade de terceiros.
Provas e formalidade
Para fundamentar penalidade, é preciso exame toxicológico válido, registros contemporâneos e relatos coerentes. Cadeia de custódia e documentação interna consistente reforçam a prova.
Informações sobre saúde circulam com restrição. Garantimos ao empregado chance de defesa e acompanhamento por profissionais de saúde ocupacional.
Riscos quando a empresa erra
A punição sem base pode gerar nulidade, indenização por discriminação e passivo judicial. Políticas claras e oferta de acordo para encaminhamento reduzem litígios.
Concluímos: resposta técnica e humana protege pessoas, profissionais e a própria empresa.
Caminhos que protegem pessoas e resultados: prevenção, tratamento e um ambiente de trabalho mais seguro
Propomos um roteiro prático que une prevenção, saúde e gestão para reduzir riscos e apoiar trabalhadores.
Campanhas internas, treinamentos para lideranças e canais seguros estimulam pedido de ajuda. Testagens éticas (bafômetro, saliva, cabelo) funcionam melhor quando integradas a uma política que prioriza reabilitação e confidencialidade.
Número mínimo de profissionais — médico e psicoterapeuta — garante triagem, definição de tratamento ambulatorial ou afastamento e acompanhamento de recuperação.
Parcerias com rede pública, ONGs e grupos de apoio ampliam acesso à reabilitação. Com técnica e empatia, protegemos pessoas, prevenimos acidentes e preservamos resultados da empresa.