Nós apresentamos um panorama claro sobre a associação entre bebidas alcoólicas e energéticos que virou prática em festas e eventos. A Anvisa já exige, desde 2005, um alerta no rótulo: “Não é recomendado o consumo com bebida alcoólica”.

Explicamos como a cafeína e outras substâncias têm um efeito que reduz a percepção de embriaguez. Isso pode levar ao aumento do consumo e a decisões impulsivas, porque a sensação de estar bem não reflete o estado real do organismo.
Os principais riscos são claros: maior chance de intoxicação alcoólica, sobrecarga no coração e no sistema cardiovascular e, em casos graves, arritmias. Recentes relatos públicos, como a internação de Rafael Zulu por fibrilação atrial, ilustram esse perigo.
Nós atuamos para oferecer informações confiáveis e acessíveis. Nosso compromisso é orientar famílias e pessoas vulneráveis, reduzir danos e indicar quando buscar um especialista ou médico.
O alerta que voltou ao centro das festas e eventos no Brasil
Nas festas e eventos, combos que juntam energéticos e bebidas viraram rotina entre grupos jovens. Bares, boates e casas de show oferecem promoções que normalizam a mistura e facilitam o consumo repetido.

Mistura popular em combos e drinks
Promoções — baldes de gelo, latas incluídas e descontos — tornam a combinação atraente. O sabor adocicado dos energéticos deixa a bebida mais agradável e aumenta a chance de exagero.
Por que jovens são mais expostos
Jovens têm maior acesso e menor experiência com limites. A pressão do grupo e a busca por energia imediata contribuem para binge drinking.
- Sintomas relatados: inquietação, necessidade de movimento, desidratação e palpitações.
- Especialistas destacam mudança no controle de impulsos e avaliação de risco nessa faixa etária.
Relatos e casos que acenderam o sinal vermelho
Casos públicos mostram que o perigo não é só teórico. O ator Rafael Zulu relatou internação por fibrilação atrial e risco de trombo/AVC após mistura em festa.
“Fui internado por quatro dias. Foi um susto para mim e para minha família.”
Orientação: observem sinais como agitação, taquicardia, vômitos e confusão. Procurar atendimento pode salvar vidas.
Álcool com estimulantes: risco extremo
Misturar cafeína e bebidas alcoólicas cria uma sensação enganosa de alerta e bem-estar. A cafeína bloqueia receptores de adenosina, reduzindo a sonolência e elevando a vigilância. Isso altera a percepção sem diminuir a real intoxicação.

Como a cafeína mascara a embriaguez
O efeito é simples: a pessoa sente menos sono e maior atenção. Em consequência, aumenta o consumo de bebidas. O especialista Arthur Guerra explica que essa redução da sensação leva a escolhas mais arriscadas.
Euforia, vigilância e cansaço oculto
Erikson Felipe Furtado (USP) alerta que o estímulo esconde o desgaste físico. Depois da festa, surge um rebote com exaustão e piora do bem-estar. O organismo e o sistema cardiovascular continuam sob pressão.
Binge drinking e decisões perigosas
Combinar energéticos e álcool facilita o binge drinking. Jovens são mais vulneráveis: o córtex pré-frontal ainda se desenvolve até ~25 anos, afetando controle de impulsos e avaliação de risco. Estar agitado não significa estar sóbrio.
Orientação: se houver tontura, vômito, confusão ou taquicardia, procure um especialista. Estratégias simples de redução de danos salvam vidas.
Efeitos nocivos e riscos à saúde que especialistas destacam
A soma de estimulantes e bebidas pressiona vários sistemas do corpo, segundo cardiologistas e pesquisadores.

Sistema cardiovascular sob estresse
Fernando Torres (SBC) alerta que a associação pode elevar frequência cardíaca e descontrolar a pressão arterial.
Esse efeito favorece palpitações e arritmias. Em casos graves, pode ocorrer fibrilação atrial e risco aumentado de infarto ou AVC.
Intoxicação e comportamento de risco
Arthur Guerra destaca que menor percepção de embriaguez leva a maior consumo. Isso amplia chances de vômitos, desidratação, confusão e acidentes.
Saúde mental e sono
Erikson Felipe Furtado (USP) aponta aumento de ansiedade, irritabilidade e piora do sono.
A privação de descanso amplifica impulsividade nos dias seguintes.
Dependência e “dupla sensibilização”
O uso conjunto pode potencializar padrão de dependência. Substâncias estimulantes e álcool reforçam buscas repetidas pelo efeito.
“A combinação pode agravar problemas cardíacos e favorecer ciclos de consumo prejudiciais.”
- Quando o perigo é maior: histórico familiar de doença do coração, hipertensão, falta de check-ups e uso frequente.
- Procure um médico ou especialista se houver tontura, palpitações ou confusão.
O que dizem Anvisa e especialistas sobre energéticos, estimulantes e a associação com álcool
Autoridades sanitárias destacam que o rótulo é um mecanismo de prevenção, não uma solução única. Nós explicamos quais regras vigem e por que profissionais pedem ações educativas ampliadas.
Rotulagem obrigatória
Desde 2005 a Anvisa exige o aviso “Não é recomendado o consumo com bebida alcoólica” nos rótulos de bebidas energéticas. O objetivo é prevenir consumo excessivo e sinais mascarados de intoxicação.
RDC nº 719/2022
A norma fixa que bebidas energéticas tenham teor alcoólico abaixo de 0,5 ml/100 ml e exige alertas em destaque. Também recomenda consulta a médico para crianças, gestantes, nutrizes, idosos e doentes.
Aviso no rótulo e limitação da mensagem
Especialistas consideram o aviso insuficiente em ambientes festivos. Promoções e pressão social reduzem a atenção ao rótulo. Por isso há defesa por campanhas nacionais e educação contínua.
Uso recreativo de estimulantes controlados
O uso não médico de substâncias como lisdexanfetamina (Venvanse) entre jovens eleva o perigo. A combinação com bebidas pode mascarar cansaço, aumentar consumo e favorecer dependência.
| Item | Regra / Recomendação | Impacto prático |
|---|---|---|
| Rotulagem (2005) | Aviso: não recomendado com bebida alcoólica | Alerta direto ao consumidor |
| RDC nº 719/2022 | Teor | Reduz confusão sobre produto e orienta proteção |
| Campanhas | Recomendação de especialistas | Aumenta eficácia da informação em festas e bares |
Para virar o jogo: informação, prevenção e caminhos de cuidado
Mudança real começa quando informação de qualidade encontra apoio contínuo. Nós recomendamos ações práticas antes, durante e depois de eventos para reduzir consumo e proteger a saúde.
Checklist familiar: converse sobre a combinação de bebida e energético, combine limites e observe sinais de alerta — taquicardia intensa, desmaio, confusão ou vômitos persistentes — para procurar atendimento médico.
Quem tem histórico no coração ou pressão arterial alta deve fazer check-up. Se o uso vira padrão ou há sinais de dependência, busque avaliação de especialista e apoio psicológico sem culpa.
Decisões informadas e campanhas educativas ajudam jovens e famílias. A bebida docinha pode enganar a percepção de embriaguez; informação e cuidado são o que viram o jogo.